





A cimboa é um instrumento musical monocórdio antigamente muito utilizado, sobretudo no acompanhamento do batuque, género musical típico da ilha de Santiago, associado as festas de casamento, baptizados e outros momentos de lazer. Pertence a uma família de instrumentos com largo uso de norte a sul do continente africano, e é tocado do mesmo modo que se toca o violino, ou seja, friccionando a corda do arco sobre a corda do instrumento propriamente dito. As cordas da cimboa e do arco são feitas de crina de cavalo. Em Cabo Verde a cimboa terá sido introduzida pelos escravos trazidos do continente africano, no decurso do tráfico negreiro, sendo várias as designações pelas quais o instrumento é conhecido. Na Guiné Bissau, por exemplo, a cimboa é vulgarmente conhecido por nhanhêro.
Por razões de varia ordem a cimboa foi caindo em desuso e quase no esquecimento, e pode dizer-se que esteve em eminente risco de extinção. Na verdade, na década ora finda, já não restavam mais do que três ou quatro mestres de cimboa, com a agravante de serem todos de idade já avançada. Não fosse a iniciativa de alguns amantes da música que chamaram a atenção para a necessidade da preservação da cimboa seguramente teríamos perdido a oportunidade de legar às gerações vindouras mais este precioso património cultural.






A cimboa é um instrumento de aspecto rústico e artesanal, cuja construção requer poucos materiais: cabaça (buli) ou coco para a caixa de ressonância, pele de cabra para a membrana, ramo de pinha para o braço, vara de barnelo para o arco, crina de cavalo para as cordas, e um pedaço de madeira mais rija para a chave. Exceptuada a crina de cavalo, todos os outros materiais referidos são de fácil acesso.
Boli ou coco
Para a caixa de ressonancia são utilizados um boli ou um coco cortados transversalmente, um pouco abaixo da cabeça. Extraído o miolo, são limpos e alisados com lixa e depois preparados para receber a membrana e o braço. Os restos do buli servem ainda para confeccionar o cavalete.
Ramo de Pinha
Para o braço é utilizado de preferência pinha, por ser uma madeira resistente e fácil de trabalhar, sobretudo se ainda estiver verde. Outro tipo de madeira pode, entretanto, ser utilizado, mas os antigos mestres recomendam a pinha.
Pele de cabra
Para a membrana é utilizada pele de cabra, extraída de um animal nem muito velho nem demasiadamente jovem, de modo a garantir uma melhor qualidade de som.
Crina de cavalo
A corda da cimboa e a do arco são feitas de crina de cavalo, material cada vez mais difícil de ser encontrado localmente, o que, em certa medida, pode ser um dos factores que contribuiu para o declínio da cimboa.
Vara de Barnelo
Para o arco é utilizado uma vara de barnelo não muito grossa, e esta deve ser trabalhada e moldada ainda verde. Para além do arco o barnelo é ainda utilizado na confecção dos rebites (chamados “pregos”) que prendem a membrana à caixa de ressonância.
Mogno
O mogno (ou outra madeira também rija) é usado para a chave.
Cola
A cola é usada nos rebites e união do braço com a caixa de ressonância.